Nas entranhas da Floresta Amazônica


Documentário acompanha pesquisadores do Inpe durante projeto na mata

Esqueça as imagens aéreas, os jacarés de bocarra aberta ou as sucuris chicoteando-se rio a dentro. O documentário “GEOBIAMA: Uma Expedição Científica na Amazônia”, que será exibido nesta quinta-feira (13) no Sesc São José, expõe um retrato realista – e muito mais fragilizado – da maior floresta do mundo.

No curta de 25 minutos, o diretor Fábio Rubinato acompanha a expedição Geobioma, realizada por pesquisadores do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e da Univerdade de Turku (UTU/ Finlândia). A missão: estudar uma região de campinarama (vegetação semelhante ao serrado) no meio da floresta.

O documentário acompanha as expedições de um grupo multidisciplinar, capitaneado pela geóloga Dilce de Fátima Rossetti, do Inpe, na tentativa de provar que tais anomalias de vegetação em plena exuberância da floresta foram causadas também pela ação de placas tectônicas que haveriam causado terremotos no passado.

“Os terremotos também poderiam ser a causa da mudança de curso de rios como o Madeira, o Negro e o Branco. Vários trechos do Rio Madeira, por exemplo, corriam a 30 km de distância de sua atual localização”, afirma Rossetti.

Fanático pela floresta, Rubinato faz das visitas dos pesquisadores a linha condutora para tratar assuntos abrangentes como a fragilidade do ecossistema amazônico, a ação depredatória e suas consequências para o clima do planeta.

“As pessoas enxergam a Amazônia como uma coisa muito distante, quase de outro planeta. Os governos sempre fazem vista grossa. O documentário tem essa pretensão de aproximar o universo da floresta”, explica.

Infiltrado
Outra intenção do curta é apresentar o minucioso e intrincado trabalho desenvolvido pelos pesquisadores para que as teorias sejam comprovadas em todas as suas exigências científicas e, assim, os conhecimentos sobre a floresta possam ser divididos. Para isso, foi preciso ganhar a confiança de um grupo não lá muito chegado às câmeras.

“No início existe essa restrição pelo pessoal pensar que a gente pode atrapalhar o trabalho. Pela complexidade do trabalho que eles exercem, é uma turma bastante fechada, cujas discussões são realmente para quem já é iniciado. Como o único profissional que não atua como cientista, eu ia tentando compreender as conversas”, explica.

Foram cerca de oito meses de gravações, os primeiros da pesquisa, que continua pelos próximos quatro anos, com análises em laboratórios do material coletado.

“Também tentamos captar toda a cadeia que compõe esse esforço pelo estudo da floresta. Vamos desde a criação do satélite que mapeia a Amazônia e indica os pontos a serem explorados pela expedição até chegar no esforço de quem desbrava a mata para coletar amostras”, diz.

Tanto o diretor quanto a responsável pelo estudo estarão presentes no lançamento oficial do documentário, que acontece às 19h no auditório do Sesc. A entrada é gratuita.

“GEOBIAMA: Uma Expedição Científica na Amazônia”


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